Era setembro de 1994, uma sexta-feira como tantas, mas aquela não, aquela tinha um despertar diferente.
Um despertar de uma noite mal dormida, uma noite de vários pensamentos e sentimentos conflitantes - a maternidade faz isso com a gente.
Encontrei este escrito quase dezoito anos depois e resolvi publicá-lo. Minha filha tinha dois meses quando escrevi as linhas que seguem.
Depois desta noite, olhando seu rostinho pela manhã, senti que devia escrever para um dia você saber o amor que sinto por você, o quanto este amor caminha lado a lado com a dor.
Você faz barulhos para chamar minha atenção, e quando vou vê-la, encontro um lindo sorriso.
Não sei se vou conseguir colocar no papel o verdadeiro sentimento.
Esta noite foi a primeira que você dormiu sozinha no berço, dormiu confortável, tranquila e super quietinha. Ao mesmo tempo que achei necessário, senti medo, insegurança, preocupação e percebi que você tem sua vida e apesar de depender de mim, tem seu espaço.
Dia a dia você cresce e fica mais esperta, não quis ficar no carrinho, chorou todas as vezes que tentei.Senti um vazio em não tê-la a meu lado para protegê-la e dar atenção ao mínimo gemido e o coração ficou apertado. Ontem você descobriu que podia virar a cabeça sozinha e a mesma não para desde então.
Filha, ter você foi a melhor coisa que me aconteceu, descobri o verdadeiro amor. Foi como uma flor que adormecia feito botão e desabrochou mais linda do que eu imaginava ser. Sabia que iria amar, mas não sabia como era esse amor. Obrigada por me mostrar. Seria impossível descrevê-lo, sei dizer que fico feliz quando vejo você bem, sem dor de barriga, com a fralda limpa, banho tomado, alimentada e sorrindo. Sofro e fico com o coração apertado quando vejo você chorar e as vezes não sei porque, faço tudo e nada adianta. Minha vontade é chorar como já chorei algumas vezes.
Amo muito você
te amo
ResponderExcluir