domingo, 20 de maio de 2012

História de vida

     Depois de deixar meu marido no trabalho, como faço quase todos os dias, voltava para casa com o pensamento distante e ao parar em uma esquina um carro me chamou atenção.
    Um Audi A4, muito bonito, marrom perolizado, tipo sedan luxo, deslizava pela rua com seus vidros fechados e por não serem escuros, pude ver quem estava dentro.
    Era um amigo de infância e lembrei de quando brincávamos juntos na rua, como fazem as crianças no interior. O tempo passou e cada um seguiu seu destino com oportunidades e escolhas diferentes.
    Vê-lo naquele carro, não foi surpresa para mim, pois já sabia que ele estava muito bem colocado em sua vida profissional.
    Segui meu trajeto e como o trânsito estava lento pude ver quando ele estacionou seu carro. Muito elegante e bem trajado, desceu para abrir a porta do passageiro, onde se encontrava sua mãe, deu-lhe a mão para ajudá-la a descer e de braços dados caminharam.
    Observei tudo isso pelo espelho retrovisor do carro e fiquei pensando naquele gesto tão simples e tão marcante.
    A gentileza tem essas características, simples de se fazer e marcantes porque fazem toda a diferença.
   A atenção, o carinho, a paciência e o amor filial ficaram registrados para mim naquele momento. Uma cena muito linda de um homem maduro que não abandonou suas origens, e sua mãe que caminhava orgulhosa ao seu lado, com toda experiencia de uma vida.
   Continuei dirigindo e pensando como hoje em dia estamos tão apressados que as vezes deixamos essas coisas importantes de lado, achando que não faz diferença sermos gentis, que as pessoas não se importam.
   Passei boa parte do dia com aquela cena na cabeça. Mãe e filho, filho e mãe, tantas histórias, tantos sentimentos, tanto amor e dedicação.
   É raro vermos cenas assim, afinal quando envelhecemos nos tornamos peças descartáveis, levando uma história de vida que muitas vezes poderia ser usada com exemplo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Coisas da vida

     Mais um dia começa, um dia como outro qualquer e em nossa cama, quando acordamos, não sabemos o que este dia nos reserva.
    Para alguns, um dia normal, para outros muita alegria e para outros, muita tristeza.
    Pela manhã, o dia parecia ser normal até que a notícia de um falecimento chegou e tudo ficou estranho.
    Os sentimentos e emoções ficam confusos e pensamos na dor dos que ficam. Lembramos de nossas próprias dores e buscamos nos confortar com aquilo que já sabemos e por muitas vezes esquecemos. Sabemos que somos mortais e que a qualquer momento podemos partir.
    Refletimos então em nossas vidas, no quanto poderíamos viver mais intensamente um abraço, um beijo, um eu te amo.
    Incrível como a morte repentina nos faz pensar nessas coisas e como tudo vai passando rápido. Nossa cabeça as vezes não tem tempo de registrar e o nosso coração, de fixar.
    Vem o vazio de outrora e o pensamento começa a vagar.
    No mesmo dia dividimos também a alegria da chegada de uma vida.
    Chegada da esperança, da concretização de um sonho, da continuação da família e das bençãos do amor.
    Uma família chora o fim e a outra festeja o início.
    Assim é a vida, cheia de altos e baixos, alegrias e tristezas e muitas surpresas.

domingo, 6 de maio de 2012

Amália Bainha

    Na publicação "Os brincos da vovó" citei minha bisavó que foi considerada heroína em sua época.
    A história do naufrágio sempre foi contada por minha mãe, que tinha tudo registrado em um caderno, lá haviam recortes de jornais e todo material colhido na época. Mamãe fez questão de copiar tudo, pois tinha uma letra linda.
    Aqui seguem as primeiras páginas das cópias manuscritas por ela.











    Continua nas próximas publicações...

terça-feira, 1 de maio de 2012

A primada

      Bragança Paulista - 28 de abril de 2012 - . Esta foi a data e local escolhidos para a oitava primada (reunião de todos os primos maternos). Para nossa família, a primeira.
      Depois de muitos anos sem contato, através da internet há mais ou menos um mês atrás, nos reencontramos e daí começou a movimentação para que tudo fosse perfeito neste dia já mencionado.
      Será muito difícil expressar tantas emoções que, logo na chegada me tiraram o ar.
      A alegria de rever pessoas tão queridas não foi maior do que a das pessoas que lá se encontravam para nos receber.
      Cada sorriso, cada expressão nos gestos e olhares, cada abraço apertado ficará eternizado em meu coração.
      Palavras são poucas e talvez nem existam para denominar tal sentimento que me tocou logo que chegamos, quando vi nossa linda e doce prima Ana Paula a nossa espera no portão, depois o Lauro nos filmando e fotografando sem querer perder nem um detalhe e assim todos vieram de braços, sorrisos e corações abertos. A cada abraço sentia meu corpo flutuar em verdadeiro estado de graça, e assim fiquei todo o encontro.
      Abraçar a querida Cecília era tudo que estava faltando, pois já havíamos conversado bastante durante a espera do grande dia. Pela internet rimos, choramos e nos aproximamos muito também. E a prima Lúcia, que amor, que encanto e que sorriso. Aliás, sorriso lindo tem o primo Dalmo, ele sorri com a boca, os olhos e a alma. E o primo Flávio, meu Deus, o primo Flávio é tudo de bom. Nos transmite paz, equilíbrio, segurança e serenidade. O primo Netinho sempre brincalhão e atento para não perder a piada.
       Minha vontade é falar de cada um, mas por enquanto vou me reservar só aos primos da primeira geração.
       A primada representa a extensão da família, a referência de toda nossa origem, a continuidade e o amor fraternal.
      Abaixo algumas fotos que eternizaram este momento.


                                     



   
                                                                                         
     






                                             
                                           
   Registrando a chegada dos primos


    Os primos da 1º geração
    A foto oficial do 8º encontro











                                                                             
                                                                                        A 2º geração
                                                                                       


                                                                                   












                                                                                           A 3º geração

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Uma breve despedida

         O sol começa a nascer, anunciando mais um dia. Um dia que para muitos foi especial, menos para mim. A noite seria longa, silenciosa e quase não me lembro quais os pensamentos que me vinham a cabeça, somente o vazio, um grande vazio. Era como se meu corpo flutuasse, como se tudo fosse um sonho, como se meu corpo estivesse entorpecido pela dor e pelo vazio.
        As vezes um carro passava na rua e do outro lado, olhando de uma janela do sétimo andar de um prédio residencial, onde morava uma amiga de infância, estava eu observando a movimentação de pessoas que eu conheci muito bem mas meu estado de torpor não me deixava compartilhar de suas presenças. A dor e o vazio não me deixavam. Foi assim até o sol despontar seus raios no céu, que com a luz do dia dava para ver que não haviam nuvens. Seu azul era maravilhoso mas a dor e o vazio tiravam tudo de mim.
       As horas foram passando e dentro de um carro seguimos viagem rumo a Serra Negra-SP- onde ficaria depositado parte de mim. O céu continuava limpo, mas o ar estava parado, tudo parecia parado, só uma brisa as vezes tocava meu rosto molhado de lágrimas, o silêncio só era quebrado pelo vai e vem de pessoas que eu não conhecia, mas que conhecia a parte de mim que ali estava.
       A hora estava próxima e como não se tem jeito de parar o relógio, chegou o momento do adeus, a tampa de madeira se fechou e com passos lentos de quem não quer ir ao fim do caminho, caminhamos. Caminhei com minha dor doendo mais forte e meu vazio cada vez maior até que os passos silenciaram e todos parados só olhando um único homem com sua colher de pedreiro colocando tijolo por tijolo subindo uma pequena parede e me separando fisicamente de alguém que é tão importante até hoje para mim. O silêncio só era quebrado pelo barulho da colher no tijolo. A cada batida, a dor.
         Até que tudo terminou. Passos foram se ouvindo e lá estava eu parada entorpecida com a minha dor e meu vazio, tão perdida e me sentindo tão só que minha vontade era de estar ali com ela, minha mãe querida. Era 27/08/1983. Já se passaram 28 anos e muita coisa aconteceu, mas a saudade até hoje as vezes faz doer o coração, mesmo tendo conhecido a alegria de ser mãe 11 anos depois.