Um Audi A4, muito bonito, marrom perolizado, tipo sedan luxo, deslizava pela rua com seus vidros fechados e por não serem escuros, pude ver quem estava dentro.
Era um amigo de infância e lembrei de quando brincávamos juntos na rua, como fazem as crianças no interior. O tempo passou e cada um seguiu seu destino com oportunidades e escolhas diferentes.
Vê-lo naquele carro, não foi surpresa para mim, pois já sabia que ele estava muito bem colocado em sua vida profissional.
Segui meu trajeto e como o trânsito estava lento pude ver quando ele estacionou seu carro. Muito elegante e bem trajado, desceu para abrir a porta do passageiro, onde se encontrava sua mãe, deu-lhe a mão para ajudá-la a descer e de braços dados caminharam.
Observei tudo isso pelo espelho retrovisor do carro e fiquei pensando naquele gesto tão simples e tão marcante.
A gentileza tem essas características, simples de se fazer e marcantes porque fazem toda a diferença.
A atenção, o carinho, a paciência e o amor filial ficaram registrados para mim naquele momento. Uma cena muito linda de um homem maduro que não abandonou suas origens, e sua mãe que caminhava orgulhosa ao seu lado, com toda experiencia de uma vida.
Continuei dirigindo e pensando como hoje em dia estamos tão apressados que as vezes deixamos essas coisas importantes de lado, achando que não faz diferença sermos gentis, que as pessoas não se importam.
Passei boa parte do dia com aquela cena na cabeça. Mãe e filho, filho e mãe, tantas histórias, tantos sentimentos, tanto amor e dedicação.
É raro vermos cenas assim, afinal quando envelhecemos nos tornamos peças descartáveis, levando uma história de vida que muitas vezes poderia ser usada com exemplo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário