terça-feira, 5 de junho de 2012

O gato Belo

     Papai era filho único e nasceu no interior, mais precisamente em um sítio que era dos seus avós maternos - sítio que até hoje está com a família-.
   Nasceu de parto normal em casa e contava que seu cordão umbilical não cicatrizava, talvez por ter sido cortado de forma errada. Ele dizia que minha avó estava ficando desesperada, pois já havia feito de tudo e nada adiantava. O medo era de perdê-lo, até que minha bisavó reuniu umas ervas, colocou em um recipiente e levou ao fogo. Aquela mistura torrou e ela triturou até formar um pó, e com aquilo curou-lhe o umbigo durante sete dias.
   Papai cresceu forte, mamou até quatro anos de idade.
   Foi uma criança cercada de carinhos e cuidados, pois alem dos pais, haviam os avós e tios que se faziam presentes em todos os momentos.
   Contava sempre muitas histórias de sua infância e uma dela eu gosto muito: a do gato que ele cuidou desde pequeno e deu-lhe o nome de Belo.
   Era um gato rajado, parecido com um tigrinho, e de tantos cuidados se tornou um gato bem grande e muito inteligente. Papai contava que todo dia, quando ia para escola, Belo ficava a sua espera na janela de casa e quando o avistava, vinha de encontro miando de satisfação e só assim ia comer. Só se alimentava quando papai tratava dele. Onde ele estava, Belo estava junto. Só faltava falar.
    Os anos se passaram e papai foi trabalhar em outra cidade. Ficava a semana toda fora e Belo sentiu muito, quase não se alimentava e não saia da janela, só esperando o momento da chegada. Quando isso acontecia, Belo se animava e era visível a transformação. Um dia porem, Belo se aproximou de papai, já estava velho e parecia doente, miou como se quisesse dizer algo e foi embora.
    Nunca mais apareceu, papai chamou, procurou e nada. Belo havia partido para nunca mais voltar. Dizem que os gatos somem quando sentem que vão morrer.



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